MISCHA MAISKY NO MOZARTEUM BRASILEIRO

De Tarcílio de Souza Barros

Divulgação

O Mozarteum Brasileiro, após uma série de excepcionais espetáculos, encerrou a temporada de 2019 com o violoncelista Mischa Maisky — acompanhado da RTV Slovenia Symphony Orchestra, numa brilhante performance na elegante Sala São Paulo.

Mischa Maisky, nascido na Letônia (URRS) é considerado um dos maiores violoncelistas do mundo. Começou a estudar violoncelo aos oito anos de idade e logo se apaixonou pelo instrumento, sendo o único violoncelista a ter aulas com dois grandes nomes do violoncelo: Marcelo Rostropovich e Gregor Piatigorsky.

Em cena, no palco da sala São Paulo, espectadores ficaram arrebatados  por sua surpreendente técnica. Quando sola no violoncelo, sentimos enorme habilidade, incrível precisão nas cordas e desenvoltura de maviosos sons que extraia do instrumento em consonância com o Concerto para Violoncelo Op. 129 de Robert Schumann (1810-1856).

Um concerto mavioso com seus movimentos curtos e interligados, uno em temática e profundamente emocional. Soube Mischa Maisky transmitir em consonância musical forte senso de desenvolvimento sonoro através de sua execução ao violoncelo de forma clara, nítida e concisa.

Público foi levado ao estase pela excelência de sua execução em simbiose com o corpo de solistas da orquestra.

RTV Symphony Orchestra fundada em 1955 é reputada como uma das melhores orquestras do mundo. Seu atual diretor musical Raoul Gruneis regeu as grandes orquestras da atualidade como a famosa DSO – Deustsches Symphonieorchester Berlim, a Radio Filarmônica de Hannover , Orquestra Haydn de Bolzano e muitas outras. Em 2019 esteve à frente da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, regendo a peça Réquiem, de Giuseppe Verdi, em uma interpretação marcante durante o 8º festival de música em Trancoso. Raoul Gruneis nascido em Wurzburg (Alemanha) é considerado da mais alta estirpe dos regentes alemães na atualidade. Com gestos e movimentos elegantes do corpo abrangeu à perfeição o notável grupo de solistas da Orquestra.

Orquestra mista de jovens e veteranos executantes altamente capacitados, uniformes em sonoridade musical, vão ao estase polifônico (sucessão de sons) levando à consagrada exibição. Corpo de cordas em delirantes passagens mormente na execução da celebre Sinfonia nº 4 em mi menor, op. 98 de Johannes Brahms (1833-1897) que fechou com chave de ouro a esplendida noitada musical na sala São Paulo.

Obra escrita em 1855 uma estupenda catadupa de planos e variações musicais, de repetições encantadoras, transmitindo inúmeras possibilidades sonoras. O inicio do primeiro movimento em surdina confirma uma melopeia melódica admirável para passar à aglomerados temáticos contrastantes. Uma catedral de sons numa estrutura sinfônica clássica e romântica. Interessante observar que no último movimento Allegro energico e passionato baseada numa passacaglia chega o musico alemão à estrutura do Barroco.

Houve quem dissesse desejar morrer ouvindo uma Sinfonia de Brahms. O publico respeitosamente ovacionou e aplaudiu a magnifica performance proporcionado pelo Mozarteum Brasileiro que encerrou brilhantemente sua Temporada 2019.

Serviço:

  • Mischa Maisky cello
  • RTV Slovenia Symphonie Orchestra
  • Raoul Gruneis regente
  • Concerto realizado na Sala São Paulo sob auspícios do Mozarteum Brasileiro
  • Avaliação: Excelente

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