“8x HILDA” homenageia a escritora brasileira Hilda Hilst

Imagem de divulgação

Em comemoração aos 90 anos do nascimento da ficcionista, cronista, dramaturga e poeta Hilda Hilst, o projeto “8x HILDA” está exibindo semanalmente em seu canal no YouTube um ciclo de leituras dramáticas de toda a obra teatral da escritora. 

Nesta quarta-feira (24), vai ao ar a versão gravada com tradução em libras da leitura de “O Visitante”, a peça mais poética da autora. O enredo gira em torno do conflito entre Ana e Maria, mãe e filha. A mãe, encantadora e meiga, descobre-se grávida. Mas a filha, estéril e parecendo mais velha, levanta suspeitas sobre a paternidade, já que seu marido é o único homem da casa. A chegada de um visitante, o Corcunda, aumenta a tensão e o conflito que, de um lado tem o apelo da vida, do sexo e do amor e, do outro, a aspereza de um mundo sem prazer.

Os episódios são lançados todos os domingos, às 18h, e a versão com tradução em libras, todas as quartas, às 20h.

“8x HILDA” propõe um jogo cênico virtual que celebra e explora a dramaturgia hilstiana, criada em pleno período da ditadura militar brasileira, que traduz a atmosfera claustrofóbica de opressão e os questionamentos ao sistema. O projeto vai ao ar até o dia 31 de março e é idealizado por Fábio Hilst. Já a direção se alterna, semanalmente, entre os atores fixos da série: Joca Andreazza, Kiko Rieser,  Flávia Couto e Lavínia Pannunzio. As leituras contam com a participação de atores convidados, conforme a demanda de personagens de cada texto.

Hilda Hilst 

Autora de linguagem inovadora, na qual atemporalidade, realidade e imaginação se fundem, Hilda Hilst é considerada uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX, com traduções em países como Itália, França, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Canadá e Argentina. Iniciou sua produção literária em São Paulo, com o livro de poemas Presságio (1950). Em 1965, mudou-se para Campinas e iniciou a construção de seu porto de criação literário, a Casa do Sol, espaço que a abrigou durante a realização de 80% de sua obra. 

Em cerca de 50 anos, ela escreveu mais de 40 títulos, muitos com edições esgotadas, incluindo poesia, teatro e ficção, que lhe renderam prêmios literários importantes no Brasil. Em sua obra nos deparamos com a fragilidade humana que nos surpreende com personagens em profundos questionamentos na viagem de entender e descobrir o essencial.

Programação do 8x HILDA

YouTube: https://bityli.com/zvCW9

Auto da Barca de Camiri

28 de fevereiro

Baseado em fatos reais, “Auto da Barca de Camiri” é a quarta peça de Hilda Hist. Em julgamento encontra-se o revolucionário argentino Ernesto Che Guevara, morto em Camiri, na Bolívia – ainda que seu nome não seja mencionado e que sua figura, na peça, seja confundida com a de Cristo. Sob a tensão permanente dos ruídos de metralhadora soando do lado de fora e com o desconforto do cheiro dos populares que desagradam os julgadores, Hilda introduz elementos grotescos e inovadores. A severidade da Lei é representada pelos juízes (vistos de ceroulas antes de vestirem as togas com abundantes rendas nos decotes e mangas). Há também o Prelado e o Agente. A condenação está decidida, a despeito do depoimento do Trapezista e do Passarinheiro que, assim como os demais humildes, serão executados pelas metralhadoras.

As Aves da Noite

7 de março

“As Aves da Noite” é baseada na história real do padre franciscano Maximilian Kolbe, morto em 1941, no campo nazista de Auschwitz. Ele se apresentou voluntariamente para ocupar o lugar de um judeu pai de família sorteado para morrer no chamado “porão da fome” em represália à fuga de um prisioneiro. No porão da fome, a autora coloca em conflito os prisioneiros – o padre, o carcereiro, o poeta, o estudante, o joalheiro –, visitados pelo comandante da SS, pela mulher que limpa os fornos e por Hans, o ajudante da SS. O processo de beatificação do padre Maximilian Kolbe, iniciado em 1968, resulta na canonização em 1982, pelo papa João Paulo II. Hoje São Maximiliano é considerado padroeiro dos jornalistas e radialistas e protetor da liberdade de expressão. 

O Novo Sistema

14 de março

“O Novo Sistema” volta ao tema da privação da liberdade e da criatividade por regimes totalitários. O personagem central, o Menino prodígio em física, não se conformará com a execução dos dissidentes em praça pública nem com a opressão – desta vez exercida pela ciência – à evolução espiritual do indivíduo. Assim como em A Empresa, é evidente a afinidade com a literatura distópica de George Orwell e Aldous Huxley.

O Verdugo

21 de março

“O Verdugo” foi escrito em 1969 e, no mesmo ano, recebeu o prêmio Anchieta. Conta a história do carrasco que se recusa a matar o Homem, um agitador inocente, condenado pelos Juízes e amado por seu povo. Temendo reações contrárias, os Juízes tentam – em vão – subornar o verdugo para que este realize a tarefa o mais rápido possível. Apenas o jovem filho entende a recusa do pai. A mulher, ao contrário, aceita a oferta em dinheiro e toma o lugar do marido ao pé do patíbulo, com a concordância da filha e do genro. No final, o verdugo reaparece, desmascara a mulher e conta ao povo o que se passará após sua decisão. O povo reage violentamente matando a pauladas o carrasco e o Homem. O filho sobrevive e foge com os Homens-coiotes, símbolos de resistência.

A Morte do Patriarca

28 de março

Em “A Morte do Patriarca” podemos reconhecer o humor ácido e o tom de escárnio de Hilda. Um Demônio com “rabo elegante” e de modos finos discute os dogmas da religião e o destino humano com Anjos, o Cardeal e o Monsenhor, ante a visão dos bustos de Marx, Mao, Lenin e Ulisses, de uma enorme estátua de Cristo e da tentativa do Monsenhor de colocar asas na escultura de um pássaro. O Demônio seduzirá o Cardeal a tomar o lugar do Papa; posteriormente, o próprio Papa é morto pelo povo.

dgtvmidia

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