Cia. Aberta de Teatro apresenta peça itinerante “A Morta”

Foto: João Maria Silva Jr

A Cia. Aberta de Teatro ocupa o casarão da Oficina Cultural Oswald de Andrade e apresenta até o dia 28 de maio “A Morta”, peça de Oswald de Andrade.

Dirigida por Cacá Toledo, a peça itinerante faz parte da celebração ao centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, e também às duas décadas de atividade da companhia.

A peça, dividida em um prólogo e três quadros, traz personagens que são mais íntegros e não possuem personalidades próprias. Beatriz, a personagem central, que foi a musa inspiradora de Dante; Horácio, grande poeta lírico; o personagem Urubu, que faz referência ao O Corvo de Edgar Allan Poe; o Poeta, que apresenta sua autópsia; o Hierofante, uma espécie de mago que abre a peça e chama a plateia a assistir à autópsia do indivíduo; o personagem Uma Roupa de Homem, que vai dialogar com a vanguarda.

Mais do que isso, a peça levou em consideração a história do prédio onde estão acontecendo as sessões e suas relações com o lugar em que está inserido. “Nas instalações site specific o espaço atua como potência transformador no sentido de assumir a posição de diretriz para a concepção da montagem, assumindo papel provocador”, explica o diretor.

O enredo da peça é desenvolvido em uma estrutura onde a ação dramática é reduzida ao mínimo e se apresenta, sobretudo, através de vozes e devaneios de figuras fantasmagóricas de um mundo em ruínas. A encenação dialoga com o entorno e leva em conta o atual sucateamento dos patrimônios públicos, inclusive o prédio que abriga a montagem e a especulação imobiliária da região do centro de São Paulo. Os figurinos foram construídos com sobras de tecidos deixados nas calçadas do Bom Retiro, os objetos de cena foram feitos pelos próprios atores e os profissionais das equipes técnica e criativa, os móveis são da própria Oswald.

Segundo Sábato Magaldi, A Morta (1937) é a “peça de menor viabilidade cênica”, entretanto é a que Oswald mais avança na elaboração de um teatro de vanguarda. Cai definitivamente a quarta parede que separa os espaços do espectador e da representação e a linguagem toma a forma de um texto onírico, poético, no qual as conexões terão de ser reconstruídas em meio a um caos de alusões e paródias.

A proposta contemplou ainda uma série de ações formativas complementares ao trabalho de pesquisa, o forte engajamento de todos e suas habilidades de criação e doação, tudo para celebrar a arte em sua liberdade de expressão; tema tratado por Oswald de Andrade em suas obras.

Ficha Técnica

Texto: Oswald de Andrade. 

Criação, dramaturgia e encenação: Cia. Aberta de Teatro. 

Direção: Cacá Toledo. 

Elenco: Amadeu Carvalho, Alanis Mahara, Arys Cavalcante, Bianka Barbalho, Bia Torres, Francesco Chioccola, Garcia, Laura Ludwig, Lae Araújo, Lucas Frizo, Luma Belfort, Marco Arcúrio, Marta Braga, Marina Rodrigues, Marina Atra, Maria Marangoni, Maurício Soares Filho, Noedir Ferrara, Patricia Nardo, Rafaela Bortoletto, Raul Vicente, Roberto Herreira, Rosseline Juarez, Vitória Mangini.

Serviço

Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo.

Temporada: 11 a 28/5. Quarta a sexta, às 20h e sábados, às 18h. 12 apresentações.

As apresentações seguem até 28 de maio, de quarta a sábado, às 20h.

Peça itinerante e a capacidade em locais fechados é de 40 a 60 lugares.

Ingressos: Grátis. Retirar 1h antes.

Duração: 90 minutos

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